terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Tanabiense, autor de "A Festa do Santo Reis" relembra amizade com Tim Maia

Nascido em Tanabi, e hoje empresário de Santo Antônio do Pinhal, Márcio Sóssio conta a história da inspiração da tradição sertaneja de onde nasceu a letra interpretada por Tim Maia

Marcio Leonardo (esquerda) com os amigos Dagoberto e Daniel e o filho João Terra (direita)

Tim Maia faleceu em março de 1998
Divulgação
“Hoje é o dia de Santo Reis, anda meio esquecido, mas é o dia da festa de Santo Reis”. O verso dá início a uma das emblemáticas músicas do cantor Tim Maia. A canção também marca para muita gente o dia de celebrar a visita dos três Reis Magos (Melchior, Baltasar e Gaspar) ao menino Jesus Cristo.
O que poucas pessoas sabem é a história da música “A Festa do Santo Reis”, que ao contrário do que muita gente pensa, não passou pela ponta do lápis de Tim. O autor da famosa letra, Marcio Leonardo Sossio, 68, empresário de Santo Antônio do Pinhal, interior de São Paulo, lembra com carinho de como compôs a canção que lhe remete a infância simples.
"Eu passava as férias nas fazendas do meu tio, em Meridiano (próxima de São José do Rio Preto), e da minha tia em Ipuã (próxima de Ribeirão Preto) e sempre no mês de janeiro. Então eu via chegar aqueles caminhões pretos antigos cheio de palhaços tocando sanfona. Desciam do caminhão cantando, comiam, bebiam, benziam a casa pra gente e tudo mais. Dos cinco aos 12 anos passei por isso. Com 17 eu fui morar em Santos e um dia perto da Praia do Gonzaga eu comecei a me lembrar da infância e aí a música saiu", conta.
A similaridade com o nome do filho do cantor, Marcio Leonardo Maia, não é mera coincidência. Tim e Marcio se conheceram no início dos anos 60 em São Paulo. O “Pai da Soul Music Brasileira” tinha acabado de ser deportado dos Estados Unidos para o Brasil e estava sem rumo. Já Marcio, natural de Tanabi (SP) vivia na capital sozinho e buscava música e cultura.
"Eu o conheci em São Paulo, quando chegou dos Estados Unidos. Estávamos em um apartamento chamado “Casa de Deus”. Era de um cara meio maluco que abriu as portas pro mundo cultural e recebia gente do teatro, dança e tudo mais. Um dia chegamos com um amigo e o Tim estava cantando, tinha muita gente reunida, gostei muito. E aí sentamos e fizemos amizade", diz com leves risadas.
Os dois viveram um período juntos sob o mesmo teto na capital paulista, mas alguns desentendimentos acabaram por afastar a dupla. No entanto, antes de finalizar a gravação do segundo álbum em 1971, Tim Maia procurou o amigo para deixar eternizada a canção que ilustra para muitos fãs o dia 6 de janeiro.
"Ele passou um tempo comigo na minha casa, depois eu acabei casando e sumi. Não o acompanhei na gravação dos álbuns, mas ele foi me procurar antes da gravação do segundo disco pedindo pra gravar essa música. Depois de um tempo me disseram que a canção virou sucesso".
Hoje Marcio Leonardo mantém uma pousada na Serra da Mantiqueira e tem uma banda, ao lado de três amigos, chamada Vento Verde. Perguntado se ficou satisfeito com o produto final, responde de maneira imediata e com um tom de saudade.
"Gostei sim. Um amigo nosso que fez o arranjo, mas o Tim era quem comandava tudo. O Tim é um amigão. Era um cara difícil de lidar, doidão, mas era do bem, não era negativo", conclui Marcio.

        ASSISTA AO VÍDEO. NO INÍCIO TIM FAZ ZOAÇÕES, MAS A MÚSICA TOCA LOGO


FONTE DA MATÉRIA: http://www.meon.com.br/
(Texto integral e fotos, originais do site acima mencionado).


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